quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Sim... O Samba!

Quem não gosta de samba
Bom sujeito não é
É ruim da cabeça
Ou é doente do pé
Eu nasci com o samba
No samba me criei
E do danado do Samba
Nunca me separei...

*Samba da minha terra – composição de Dorival Caymmi


Cá entre nós, a música de Dorival Caymmi diz tudo, sem dúvidas. Quem não gosta de samba, bom sujeito não é!

Estou falando de samba porque fiquei muito feliz com o que vi domingo passado. O programa Cidade do Samba exibido pela Rede Globo foi ótimo. Claro que quando eu via as chamadas do especial esperava apreciar somente os bambas do samba e não Pitty, Marjorie Estiano, Chorão e Ivete Sangalo, figurinhas repetidas que devem ter sido colocadas para dar ibope. Sim! Eles merecem o sucesso que tem, mas cada um na sua área. O samba não precisa disso! Sinceramente, acredito que um programa como esse não precisava ter apelado para esses artistas. Afinal, se eles queriam colocar uma nova geração de artistas que cantam samba (como fizeram, colocando Diogo Nogueira), deveriam ter garimpado melhor.

Falemos, então, das coisas boas. Apresentado pelo garoto propaganda mais bem pago do Brasil – Zeca Pagodinho – o programa teve participações maravilhosas, a começar pelo próprio com Martinho da Vila, Velha Guarda da Portela e Vanessa da Mata cantando “Onde a dor não tem razão” (!!!), Lenine e Zélia Duncan cantando “Bebete Vãobora” (muito bom!), Beth Carvalho e Diogo Nogueira, João Bosco e Daniela Mercury, além de Alcione, Arlindo Cruz, Sandra de Sá e Dudu Nobre (que cantou com o Chorão... Desperdício). Só que o ponto alto, pra mim, foram as apresentações de Dona Ivone Lara com Nilze Carvalho e Nelson Sargento cantando com Teresa Cristina.

Confesso que não conheço muito sobre Nelson Sargento. Mas prometo pesquisar e começar a ouvir.
Vou falar então de Dona Ivone Lara. Desde pequeno eu ouço “Alguém me avisou”, “Mas quem disse que eu te esqueço” (essa, na voz da Beth Carvalho) e óbvio que não tinha noção de quem era a compositora. Putz! Como é bom quando a gente se dá conta de algumas coisas na vida...




Infelizmente, não tive a oportunidade de ir a um show dela, portanto, vou me contentando com o que vejo na TV. Adoro vê-la, normalmente ela mais comedida, canta paradinha no lugar. Só que nesse programa ela sambou, deu seus pulinhos, ficou superanimada!!!

É por ver essas e outras pessoas que eu continuo afirmando que a melhor coisa na vida de um ser humano é conhecer o Samba. É piegas falar sobre isso, mas é realidade! A música, a letra, a harmonia entram pelos ouvidos e distribuem a energia boa por todo o corpo... Aí meu amigo, não tem doença, mau- humor, tristeza, dor de amor que resista.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Menino do Rio

Menino do rio
calor que provoca arrepio
dragão tatuado no braço,
calção corpo aberto no espaço
Coração
de eterno flerte, adoro ver-te
Menino vadio,
tensão flutuante do rio
Eu canto para Deus proteger-te
O Havaí, seja aqui
tudo o que tu sonhares
Todos os lugares, as ondas dos mares
Pois quando eu te vejo
eu desejo o teu desejo
Menino do Rio...

Menino do Rio - composição de Caetano Veloso.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Essas mudanças...

Mudei de casa essa semana e dizem que toda e qualquer mudança é sempre bem vinda às nossas vidas. Sempre vai existir uma pessoa que vai chegar até você (se você mesmo não falar antes!) e dizer: “casa nova, VIDA NOVA”; “cabelo novo, VIDA NOVA”; “carro novo, VIDA NOVA”; “religião nova, VIDA NOVA” (sobre essa última, tenham algumas ressalvas). Tudo corresponde a uma VIDA NOVA!

Foi pensando um pouco nesse ponto, que uma pessoa me veio à mente: Baby Consuelo. Ou será Baby do Brasil? Ou melhor, Bernadete Dinorah de Carvalho.
Não, eu não quero questionar as mudanças que aconteceram na vida dela! Mas como gosta de mudar essa mulher, hein?




Graças a uns bons amigos que tenho e o fato de gostar de Marisa Monte, descobri (antes tarde do que nunca) os Novos Baianos, grupo do qual ela fazia parte, junto com Morais Moreira, Paulinho Boca de Cantor, Luiz Dias e Pepeu Gomes. Posso ouvir 1000 vezes Acabou chorare, que eu não enjôo! É impressionante a criatividade e a mistura de Bossa Nova, Tropicália, Forró e Rock que eles faziam. E passei a ouvir aquelas músicas famosas que ela interpretava: “Menino do rio”, “Brasileirinho”, “Sem pecado, sem juízo”.




Pois é! As mudanças dela começam lá na década de 70. Depois que o grupo Novos Baianos foi desfeito, ela e Pepeu Gomes assumiram suas carreiras, mudaram do sítio que eles dividiam com o restante do grupo e a cada aparição era um corte novo de cabelo com uma cor diferente. Anos mais tarde, ela se separou de Pepeu, parou de ver discos voadores e depois acontece a maior mudança: ELA VIROU EVANGÉLICA!!! Nada contra, sério! Mas todo mundo se espantou com essa notícia, afinal, Baby do Brasil evangélica? Era difícil acreditar nisso...


Bom. Durante um tempo, pouco se ouvia falar dela, até que um dia (já faz um bom tempo), vendo Jô Soares, lá estava ela! Fiquei feliz de ver que ela continuava cantando suas músicas, sem preconceitos, tão bem quanto os LP’s que já tive oportunidade de ouvir (minha mãe tem uns dois, se não me engano).

Claro que eu não sou um fã incondicional dela, entretanto é bom lembrar de artistas como ela que, por algum motivo, não estão no mainstream, nem na cena independente da música brasileira hoje, mas que já deram sua contribuição para ela. E que contribuição!!!

Ah! Eu ainda continuo achando ela muito extravagante!


PS: Adoraria que os Novos Baianos voltassem a tocar. VOLTA! VOLTA!

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

O começo

Não sei porquê, mas resolvi de súbito criar esse blog. Tudo bem! Não foi uma coisa, assim, tão impensada. Na verdade, uma coisa foi fundamental: a música! Não entendem o porquê? Bem, nem eu sei explicar!
Essa da foto é Cesária Évora – simplesmente FANTÁSTICA – uma cantora de blues e morna (ritmo cantado em crioulo cabo-verdiano, que se parece com o fado cantado pelos portugueses) de Cabo Verde, que, como eu disse, é fantástica. Sua voz é de uma doçura ímpar, sua interpretação é profunda, melancólica e suas músicas retratam a história de seu povo. Lindo!
Pois é, foi por causa dela que resolvi montar o blog... O que isso tem haver? Também não sei! Mas que ela me inspirou, não tenham dúvida! Cá entre nós, música seja ela qual for (salve exceções) é inspiradora.
Viva Cesária!

Ah! A foto do título é um recorte de “A Família”, quadro de Tarsila do Amaral.