terça-feira, 13 de maio de 2008

De Nara para Fernanda



Este post chega um pouco atrasado, mas não vejo maiores problemas quanto isso.

No dia 7 de junho de 1989, morre aquela que, sem dúvidas, foi uma das grandes cantoras brasileiras – Nara Leão. Criticada, devido a incompreensão de muitos, no final da década de 1960, por seu “rompimento” com o estilo musical responsável por sua ascensão – a Bossa Nova –, a eterna musa da Bossa só queria inovar, jamais “romper” com o gênero popularizado pelas batidas de violão de João Gilberto.

Ao regravar compositores consagrados, como Edu Lobo, Tom Jobim, Vinícius, Roberto e Erasmo Carlos, redescobrir outros, antes esquecidos, como Zé Ketti, João do Vale, José Cândido e lançar tantos outros, Nara Leão renovaria a cena musical da época; evidenciando o samba que vinha dos morros com toda sua crítica social, dando cara nova ao rock do Rei Roberto e experimentando de tudo um pouco com a Tropicália.

Eis que 18 anos depois, várias coletâneas lançadas e muitas homenagens sem criatividade, vem alguém e... Bingo! Faz um verdadeiro tributo e inova o que já era inovador.

Fernanda Takai lançou “Onde brilhem os olhos seus”, CD dedicado a Nara, com músicas gravadas ao longo da sua carreira, mas com arranjos que, para mim, são extremamente inusitados e belíssimos. E não podia ser diferente, a idéia do tributo partiu daquele em que “novidade” é seu segundo nome: Nelson Mota, que assina a direção artística do projeto. John Ulhoa ficou a cargo da produção e Lulu Camargo, os arranjos.


O Show que assisti no Conexão Vivo, no dia 4 de maio, deixou um pouco a desejar, mas não por culpa da Fernanda e banda (que é simplesmente fantástica! Destaque para a Mariá Portugal, baterista e backing vocal), e sim pelo local (o show aconteceu no Parque Municipal) e pelo tempo, já que, infelizmente, cada artista tinha cerca de 50 minutos para sua apresentação.

Nara está muito bem representada. A inovação que ela sempre buscou em sua carreira, hoje, está sob a tutela de Fernanda Takai que conseguiu trazer a genialidade das composições, unindo-as a ânsia pelo novo, sempre alcançada por ela.

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